Murilo Gun, 28 anos, pernambucano, é o pioneiro do stand-up comedy no Nordeste. Seus vídeos de humor já foram vistos por mais de 5 milhões de pessoas no Youtube. Em 2010, foi considerado pelo UOL como um dos 10 melhores comediantes do ano.
Sim.
Quer um exemplo? Veja essa historinha:.
Aos 14 anos, em 1997, nos primórdios da Internet, criei o meu primeiro negócio: um site pessoal chamado GUN’S HOT PAGE, que ganhou por 2 anos consecutivos o prêmio IBest de melhor site pessoal do Brasil.
Aos 17 anos, criei a minha primeira empresa formal: BIT – Business Intelligence & Technology. A BIT era uma pequena (5 funcionários) – mas bastante rentável - empresa de prestação de serviços de tecnologia da informação.
Em pleno boom da Internet, a BIT recebeu um aporte de capital de risco de 1 milhão de reais deixando de ser uma pequena prestadora de serviços e passando a ser uma desenvolvedora de projetos próprios com cerca de 40 funcionários. Essa nova fase da empresa durou apenas 1 ano: a bolha da Internet estourou e a BIT fechou as portas.
Depois de um ano em depressão de carreira (aos 18 anos), comecei a trabalhar na W3 Tecnologia, uma pequena empresa (na época uns 5 funcionários) de prestação de serviços, bastante parecida com a BIT nos seus primórdios. Entrei como um estagiário informal e virei sócio ajudando a empresa a crescer chegando a cerca de 40 funcionários.
A W3 Tecnologia mudou de nome para Cartello e virou uma das principais produtoras Web do Nordeste. Mas, em 2009, depois de mais de uma década trabalhando com Web, pedi para sair da sociedade e me dedicar a uma paixão: comédia.
Criei a JAGUNÇO PRODUÇÕES, uma empresa que nem sequer tem escritório, e tem apenas uma estagiária trabalhando home office. Mas, hoje em dia, estou bastante realizado na vida pessoal e profissional (leia-se financeira)
E daí?
Acredito que ficou claro que eu tenho um perfil empreendedor. Mas deu pra perceber que os momentos de maior realização pessoal foram quando eu trabalhei com uma pequena equipe? Trabalhando sozinho na Gun’s Hot Page; com uma equipe pequena no início da BIT; com uma equipe pequena no início da W3 Tecnologia e atualmente com a minha estagiária na Jagunço.
Quando a BIT cresceu, o negócio não deu certo. Quando a W3/Cartello cresceu, deu certo, mas eu optei por sair.
Por que?
Porque eu sou um empreendedor, mas não sou um líder. Odeio gerenciar pessoas. Odeio contratar. Odeio motivar. Odeio cobrar prazos. Odeio demitir.
E odeio principalmente essas literaturas corporativas que insistem que todo empreendedor precisa ser um líder. Inclusive os autores desses livros normalmente são empreendedores (pois empreendem os seus livros), mas normalmente não são lideres (pois trabalham sozinhos escrevendo num quarto trancado). Ou seja, faça o que eu faço, mas não faça o que eu digo.